terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A Alegoria da caverna: A Republica, 514a-517c.

Diálogo de Sócrates com Glauco

Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, pois, homens que vivem em uma morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo.
Glauco: Entendo
Sócrates: Então, ao longo desse pequeno muro, imagine homens que carregam todo o tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro; estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material. Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam.
Glauco: Estranha descrição e estranhos prisioneiros!
Sócrates: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, você pensa que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente?
Glauco: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel?
Sócrates: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam?
Glauco: É claro.
Sócrates: Então, se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que vêem, pensariam nomear seres reais?
Glauco: Evidentemente.
Sócrates: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não acha que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente?


Glauco: Sim, por Zeus.
Sócrates: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.
Glauco: Não poderia ser de outra forma.
Sócrates: Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer? Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar a cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o fariam sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras anteriormente. Na sua opinião, o que ele poderia responder se lhe dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que está vendo melhor? O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-o com perguntas, a dizer o que são? Não acha que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele via antes lhe pareceriam mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
Glauco: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras.
Sócrates: E se o forçassem a olhar para a própria luz, não achas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram?
Glauco: Sem dúvida alguma.
Sócrates: E se o tirarem de lá à força, se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos agora serem verdadeiros.
Glauco: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos.


Sócrates: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol.
Glauco: Sem dúvida.
Sócrates: Finalmente, ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é.
Glauco: Certamente.
Sócrates: Depois disso, poderá raciocinar a respeito do sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível, e que é, de algum modo a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
Glauco: É indubitável que ele chegará a essa conclusão.
Sócrates: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não acha que ficaria feliz com a mudança e teria pena deles?
Glauco: Claro que sim.

Sócrates: Quanto às honras e louvores que eles se atribuíam mutuamente outrora, quanto às recompensas concedidas àquele que fosse dotado de uma visão mais aguda para discernir a passagem das sombras na parede e de uma memória mais fiel para se lembrar com exatidão daquelas que precedem certas outras ou que lhes sucedem, as que vêm juntas, e que, por isso mesmo, era o mais hábil para conjeturar a que viria depois, acha que nosso homem teria inveja dele, que as honras e a confiança assim adquiridas entre os companheiros lhe dariam inveja? Ele não pensaria antes, como o herói de Homero, que mais vale “viver como escravo de um lavrador” e suportar qualquer provação do que voltar à visão ilusória da caverna e viver como se vive lá?

Glauco: Concordo com você. Ele aceitaria qualquer provação para não viver como se vive lá.
Sócrates: Reflita ainda nisto: suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do sol?
Glauco: Naturalmente.
Sócrates: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?
Glauco: Sem dúvida alguma, eles o matariam.

Sócrates: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo que ilumina a caverna à ação do sol. Quanto à subida e à contemplação do que há no alto, considera que se trata da ascensão da alma até o lugar inteligível, e não te enganarás sobre minha esperança, já que desejas conhecê-la. Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso eis o que me aparece tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.
Glauco: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo.
Texto: A Alegoria da caverna: A Republica, 514a-517c. Tradução de Lucy Magalhães.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ética e Administração Pública

Ética e Administração Pública - Turma 01 A

Curso Ética e Administração Pública do Instituto Legislativo Brasileiro - ILB.



1 Apresentação do Curso
 O curso de Ética e Administração Pública tem carga horária de 40 horas/aula,  duração de 60 dias, a contar da data da matrícula e foi concebido com o objetivo de conceituar e contextualizar a Ética e sua importância para o indivíduo, o cidadão e a Administração Pública.

Seu conteúdo está dividido em três módulos, cuja leitura e estudo deverão ser feitos através de uma navegação linear, por meio do índice dos módulos, pois os temas vão sendo construídos gradativamente.

O Conteúdo programático do curso está assim organizado:

Módulo I – Ética

Unidade 1 – Importância do estudo, histórico e conceituação.
Unidade 2 – Ética e Moral.
 Módulo II – Ética em Contexto

Unidade 1 – A ética, eu e outro.
Unidade 2 – Ética e sociedade.
Unidade 3 – Ética, imprensa e novas mídias.
Unidade 4 – Ética e Lei.
Unidade 5 – Ética e Estado.
Unidade 6 – Ética, vida e natureza.
 Módulo III – Ética na Administração Pública

Unidade 1 – Administração Pública.
Unidade 2 – Ética e Administração Pública.
Unidade 3 – Ética no Legislativo.


São oferecidos alguns textos de apoio ao conteúdo. Eles foram cuidadosamente selecionados para complementar seus estudos e espera-se que você os leia atentamente. Cada módulo está dividido em um conjunto de unidades. Em cada uma delas, além do texto principal e dos textos de apoio, você dispõe de links que conduzem a sítios na Internet, onde você terá a oportunidade de aprofundamento no conteúdo proposto.

Por se tratar de um curso de educação à distância por meio da Internet, sem auxílio de tutoria, você será o responsável pelo seu próprio aproveitamento e definirá seu percurso ao longo do conteúdo proposto, de modo que possa alcançar os seguintes objetivos: 

Objetivos por Módulo - 
Módulo 1 tem como objetivo Conhecer um pouco do histórico da Ética e sua conceituação e saber diferenciar Ética e Moral. 

O módulo 2 tem como objetivo Compreender o papel e a importância da Ética em relação a outros sujeitos sociais. 

Já o módulo 3 tem como objetivos Conceituar Administração Pública e reconhecer seus agentes; Conhecer os princípios da Administração Pública que a regem; Identificar as principais instâncias de controle interno e externo; Reconhecer a questão ética implícita em cada um dos princípios acima; e  Refletir sobre a Ética no Poder Legislativo. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

La liste des membres du premier gouvernement du quinquennat d'Emmanuel Macron et d'Edouard Philippe:


Gérard Collomb ministre d'Etat, ministre de l'Intérieur. 
Nicolas Hulot ministre d'Etat, ministre de l'ecologia
François Bayrou ministre d'Etat, garde des Sceaux
Bruno Le Maire ministre de l'Economie
Sylvie Goulard ministre des Armées
Jean-Yves Le Drian ministre de l’Europe et des Affaires étrangères
Richard Ferrand ministre de la Cohésion des territoires
Agnès Buzyn ministre des Solidarités et de la Santé
Francoise Nyssen ministre de la Culture
Murielle Pénicaud ministre du Travail
Jean-Michel Blanquer ministre de l’Education nationale
Jacques Mézard ministre de l’Agriculture et de l’Alimentation
Gérald Darmanin ministre de l’Action et des Comptes publics 
Fredérique Vidal ministre de l’Enseignement supérieur, de la Recherche et de l’innovation
Annick Girardin ministre de l’Outre-mer
Laura Flessel ministre des Sports
Elisabeth Borne ministre chargée des Transports
Marielle de Sarnez est ministre chargée des affaires européennes. Les secrétaires d'Etat
Christophe Castaner porte-parole du gouvernement chargé des relations avec le Parlement
Marlène Schiappa est chargée de l'égalité des femmes et des hommes
Sophie Cluzel est chargée des personnes handicapées
Mounir Mahjoubi est chargé du numérique



«PORTRAITS - Ils viennent d'intégrer le gouvernement d'Edouard Philippe. Découvrez la galerie de portraits des nouveaux ministres.»
  • Gouvernement Édouard Philippe : qui sont les ministres de Macron  [consulté le 17 mai 2017]. Disponible sur: http://www.lefigaro.fr/elections/presidentielles/2017/05/17/35003-20170517ARTFIG00183-gouvernement-edouard-philippe-qui-sont-les-ministres-de-macron.php 

    sábado, 22 de abril de 2017

    segunda-feira, 3 de abril de 2017

    “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”


    À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta. Como todos os bons provérbios, este tem um suporte histórico. Refere-se à segunda mulher de Júlio César, Pompeia, de quem ele se divorciou por suspeitar que ela o traíra, mesmo sem ter provas. 




    História 
    A história é bastante conhecida. Decorria, em casa de Júlio César, no dia 1 de Maio do ano 62 a.C., a festa da Bona Dea  “Boa deusa”, uma orgia báquica, reservada exclusivamente às mulheres. A celebração fora organizada por Pompeia Sula, segunda mulher de Júlio César, ao que consta, uma mulher jovem e muito bela.
    Acontece que Publius Clodius, jovem rico e atrevido, estava apaixonado por Pompeia, não resistiu: disfarçou-se de tocadora de lira e, clandestinamente, entrou na festa, na esperança de chegar junto de Pompeia. Porém, foi descoberto por Aurélia, mãe de César, sem que tivesse conseguido os seus intentos.
    Nesse mesmo dia, todos os romanos conheciam a peripécia e César decretou o divórcio de Pompeia. Mas César não ficou contra Publius Clodius, chamado a depor como testemunha em tribunal, disse que nada tinha, nem nada sabia contra o suposto sacrílego. Foi o espanto geral entre os senadores: “Então porque se divorciou da sua mulher?”. A resposta tornou-se famosa: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”.
    Esta frase deu origem a um provérbio, cujo texto é geralmente o seguinte: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.




    Pompeia no "Promptuarii Iconum Insigniorum"