Pular para o conteúdo principal

Postagens

O Alienista de Machado de Assis e os Dias Atuais: Reflexões sobre Sanidade e Poder

  O Alienista de Machado de Assis e os Dias Atuais: Reflexões sobre Sanidade e Poder Publicado em 1882, "O Alienista" permanece como uma das obras mais perspicazes de Machado de Assis, oferecendo reflexões que ecoam com inquietante precisão na sociedade contemporânea. A narrativa do Dr. Simão Bacamarte e sua Casa Verde transcende o contexto do século XIX para se tornar uma lente através da qual podemos examinar questões urgentes de nosso tempo. O Poder de Definir a Normalidade No conto machadiano, o médico Simão Bacamarte assume o poder de determinar quem é são e quem é louco na pequena Itaguaí. Essa prerrogativa, aparentemente científica, revela-se um mecanismo de controle social que ressoa profundamente com debates contemporâneos sobre saúde mental. Hoje, enfrentamos questões similares quando observamos a medicalização crescente de comportamentos que antes eram considerados parte do espectro normal da experiência humana. A tristeza torna-se depressão, a inquietação vira tra...

Quando o Estado Rompe a Confiança, Deve Ser Responsabilizado

  Quando o Estado Rompe a Confiança, Deve Ser Responsabilizado “O Estado é o guardião da confiança pública. Quando a quebra, quebra-se o elo invisível que sustenta a legitimidade.” —  Pierre Rosanvallon A democracia não se sustenta apenas sobre eleições periódicas, divisão de poderes e ritos legais. Ela repousa sobre uma fundação invisível, mas decisiva: a  confiança pública . Quando um cidadão aceita obedecer às leis, pagar tributos, delegar poder a representantes, ele está apostando que o Estado — em nome do interesse coletivo —  cumprirá sua parte no pacto social . Mas o que acontece quando o Estado quebra esse pacto? Quando, em vez de proteger direitos, os nega? Quando, em vez de gerir com justiça, governa com privilégios? Quando corrompe a verdade, manipula a lei e governa por conveniência? O que acontece é simples:  rompe-se a legitimidade. E quem rompe a confiança pública, deve ser punido. A confiança como princípio normativo, não apenas social Pierre Ros...

INNS : Previdência, Confiança Pública e o Direito ao Futuro

  O Estado é o guardião da confiança pública. Quando a quebra, quebra-se o elo invisível que sustenta a legitimidade.” — Pierre Rosanvallon Em sociedades democráticas, a relação entre o cidadão e o Estado repousa, antes de tudo, sobre um pacto de confiança. O trabalhador que contribui mês após mês para o sistema previdenciário o faz com a crença de que, ao fim de sua jornada laboral, encontrará garantido o direito a uma vida digna. O problema é que, ao se aposentar, muitos descobrem que o dinheiro, simplesmente, não está lá . O modelo atual, em países como o Brasil, é sustentado por um regime de repartição simples. Nele, os trabalhadores ativos financiam os benefícios dos aposentados do presente. Não há contas individuais, nem reservas técnicas. O sistema depende da solidariedade intergeracional — uma geração paga pela outra — o que, em teoria, soa nobre. Mas na prática, essa arquitetura contém uma fragilidade estrutural grave: a ausência de lastro real para o direito futuro . ...

Adeus a Pepe Mujica: a simplicidade como forma de poder

  Adeus a Pepe Mujica: a simplicidade como forma de poder Publicado em 13 de maio de 2025 Hoje, 13 de maio de 2025, o mundo se despede de José "Pepe" Mujica, ex-presidente do Uruguai, aos 89 anos. Sua morte encerra um ciclo histórico que transcende fronteiras nacionais e revela um tipo raro de liderança: aquela que não busca os holofotes, mas a coerência ética. Em tempos de ostentação política, discursos vazios e guerras fabricadas, Mujica permaneceu fiel a uma simplicidade radical. Morando em uma chácara, dirigindo um Fusca velho, doando grande parte de seu salário e usando botas de borracha em vez de ternos caros, ele escancarava, em sua própria vida, a crítica ao modelo político tradicional. Presidente entre 2010 e 2015, Mujica governou com coragem política. Legalizou o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a maconha, mas sempre com os pés fincados na realidade latino-americana — onde governar é, acima de tudo, sobreviver às pressões do capital, da...

Conflitos Armados em 2025: Um Panorama Geopolítico e Humanitário

Conflitos Armados em 2025: Um Panorama Geopolítico e Humanitário   Fonte image Resumo Em 2025, o cenário internacional permanece marcado por diversos conflitos armados de alta intensidade, com implicações geopolíticas e humanitárias significativas. Este artigo busca analisar os principais focos de guerra em curso — com destaque para o Sudão, Gaza, Caxemira, Ucrânia, Iêmen, República Democrática do Congo, Somália e Afeganistão — a partir de uma perspectiva crítica, abordando causas estruturais, atores envolvidos, impactos regionais e a resposta (ou ausência dela) por parte da comunidade internacional. O texto propõe uma reflexão sobre os mecanismos de invisibilização da violência e o papel da ordem internacional na (in)efetividade da resolução desses conflitos. Palavras-chave: conflitos armados; geopolítica; crises humanitárias; direito internacional; segurança global. 1. Introdução Apesar dos avanços tecnológicos, institucionais e diplomáticos do século XXI, o uso da força arm...